Mensagem

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Presidente da Autoridade da Região Administrativa Especial de Oé-Cusse Ambeno e das Zonas Especiais de Economia Social de Mercado de Timor-Leste.

O mundo tem vindo a experimentar ciclos de crises económicas com dolorosos impactos sociais e políticos. Durante décadas tudo parecia concordar que os modelos de desenvolvimento existentes representavam opções paradigmáticas opostas, irreconciliáveis, um Mundo partido em dois blocos antagónicos. Cada um dos modelos se assumia com exclusividade como superior ao outro. Na verdade, não se sabia assumir com honestidade e de um modo coerente que a questão central do desenvolvimento está no ser humano.

É inegável que o ser humano é um ser eminentemente social. Como tal, é parte de um todo que se dá pelo nome de sociedade. Por isso, o singular só existe quando é capaz de se interagir no seio do todo, do plural social, político, cultural e económico, mas sempre com personalidade própria. É na inclusão e na participação onde se encontra a chave de qualquer processo de desenvolvimento justo e equitativo, equilibrado, sustentável e sustentado.

Na esteira deste raciocínio se pode afirmar que os modelos de desenvolvimento conhecidos já não encontram soluções dentro das suas respetivas linhas de pensamento, do seu agir filosófico elas faliram, desmoronaram-se, autodestruíram-se. O erro não está no mercado como fator dinamizador e regulador da economia, o erro está na utilização desregulada do mercado, deixando lugar ao consumismo especulativo que termina criando bolhas incontroláveis no ambiente socioeconómico.

É bom frisar também que um modelo económico que ignora a componente social do desenvolvimento gera necessariamente conflitos porque discrimina pela falta de inclusão e equidade, pela ausência de justiça social distributiva da riqueza, fruto do trabalho de todos. A sociedade nova deve ser inclusiva, justa, dinâmica. Deve saber valorizar as qualidades individuais e reconhecer a necessidade de assumir a diferença como uma riqueza dinamizadora do progresso do todo. Por isso, urge construir novos paradigmas e formatar um modelo capaz de trilhar novos caminhos e explorar novas potencialidades de modo a superar os já existentes.

Será um mundo de todos e para todos, da raça humana.

A Economia Social de Mercado que defendo é, assim, um conceito que desafia os paradigmas e modelos de desenvolvimento já esgotados, mesmo aqueles mais avançados.

Na procura de um modelo novo se decidiu pela criação de Zonas Especiais de Economia Social de Mercado em Timor-Leste e escolheu-se o enclave de Oé-Cusse Ambeno para iniciar o Projecto Piloto e a Ilha de Ataúro como Pólo Complementar.

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